Logo cedo, quando ainda crianças, iniciamos o processo de desenvolvimento pessoal recebendo críticas. Primeiro de nossos pais. Depois de nossos professores e amigos. E subitamente estamos recebendo críticas de uma série de pessoas que estão à nossa volta.
Devo admitir que adoro criticar. E por ser um traço forte da minha personalidade, criticar os outros, eu não gosto de ser criticada.
Comecei a trabalhar com sistema de qualidade ainda como aluna de engenharia, e nesta época conheci a famosa expressão "crítica construtiva". Demorei para aprender que uma crítica poderia ser boa, mas a partir daí, me esforcei para entender melhor o que os outros falavam de mim.
Logo depois de formada, me tornei professora, e nesta profissão aprendi a conviver com as críticas, tanto "construtivas" quanto "destrutivas". Aprendi que muitos dizem as coisas para te ajudar, e que outros só querem te ofender mesmo.
Pois bem. Atualmente tenho lidado bem com a situação. Tento tirar proveito das críticas da melhor forma possível, mesmo sendo extremamente difícil em determinadas situações.
Porém, hoje pela manhã, ao arrumar o cabelo da minha filha de 1 ano, vivi pela primeira vez uma experiência que deu origem a este texto: Enquanto fazia uma trança no seu cabelo, ela queria brincar com o controle remoto. E como ela não parava quieta, tive que brigar com ela, e eis que ela me lança um olhar conhecido em meio aquela situação nova. Mesmo sem saber falar uma palavra, a mensagem foi clara: ela estava me criticando. E eu pensei "Até tu, Brutus?"
E a primeira briga terminou com um cabelo arrumado e uma criança insatisfeita.
No caminho até a escola, ela permaneceu com cara de poucos amigos.
E como se não bastasse, ao chegar na sala de aula, ela pulou para o colo da professora, me desprezando totalmente.
E eu fui trabalhar pensando no ocorrido.
Pensei em quanto tempo eu demorei para aprender que, em meio há tantas críticas, existe sempre algo positivo. Que de todas as críticas feitas pelos meus pais, boa parte delas me ajudaram a contruir uma pessoa melhor. E que passará muito tempo até minha filha se dar conta de que minhas atitudes tem como propósito o bem dela.
Até lá, terei que me acostumar com este olhar que ela me deu hoje. Talvez dela, irão nascer as piores críticas que eu já recebi. E quem é que está preparado para isso? Pra mim foi cedo demais.
Mas uma coisa ficou bem clara: eu serei a responsável por iniciar o desenvolvimento pessoal dela, e ela será a responsável por terminar o meu.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O paradoxo dos gêmeos
Se dois gêmeos A e B são separados, um permanecendo na Terra (A) e o outro sendo levado para viajar em uma nave espacial com velocidade próxima a da luz durante alguns anos terrestres, ao retornar a Terra, como seria a relação entre as idades dos dois gêmeos?
Você poderia pensar em 2 hipóteses:
a) O irmão B volta para a Terra mais novo do que o irmão que ficou;
b) O irmão B volta para a Terra mais velho do que o irmão que ficou.
Por causa da dilatação temporal, poderíamos responder que o gêmeo B, que viajou com velocidade próxima à velocidade da luz, deveria estar mais novo, já que um ano para ele equivale a mais de um ano terrestre. Porém, o Gêmeo B poderia dizer que ele se manteve parado, enquanto foi a Terra que moveu-se para longe, e neste caso o irmão A estaria mais novo.
Esta formulação ficou conhecida como o paradoxo dos gêmeos.
E aí? Qual seria a sua resposta?
Você poderia pensar em 2 hipóteses:
a) O irmão B volta para a Terra mais novo do que o irmão que ficou;
b) O irmão B volta para a Terra mais velho do que o irmão que ficou.
Por causa da dilatação temporal, poderíamos responder que o gêmeo B, que viajou com velocidade próxima à velocidade da luz, deveria estar mais novo, já que um ano para ele equivale a mais de um ano terrestre. Porém, o Gêmeo B poderia dizer que ele se manteve parado, enquanto foi a Terra que moveu-se para longe, e neste caso o irmão A estaria mais novo.
Esta formulação ficou conhecida como o paradoxo dos gêmeos.
E aí? Qual seria a sua resposta?
terça-feira, 5 de abril de 2011
Relatividade ...
Há duas semana venho tentado produzir algum material para este blog.
Minhas leituras (que tem sido as mais variadas) tem feito com que minha mente trabalhe a uma velocidade na qual meu racioncínio lógico não consegue acompanhar.
Talvez por que, para adentrar em certos "mundos" da ciência, a lógica tenha que ser deixada de lado.
Bem, o fato é que há duas semanas, também, criei com alguns alunos um grupo para estudos de física avançada. E talvez agora, algumas coisas comecem a fazer sentido.
Para tentar ser mais clara, o que tenho tentado fazer é abrir novas possibilidades de pensamento. E hoje me dei por feliz quando comecei o primeiro capítulo de "ABC da relatividade", de Bertrand Russel.
No livro em questão, publicado pela primeira vez em 1925, Russel escreve que, para entender o que Einstein pensava ao criar a Teoria da Relatividade, temos que alterar nosso quadro imaginário do mundo, por mais difícil que isto possa parecer.
E ele tem razão.
Minha maior dificuldade para entender a teoria da relatividade é que, na física, precisamos sempre de um referencial para os cálculos. E quando digo referencial, estou falando de coordenadas x, y e z. Isto é, quando analiso o movimento de uma partícula, eu preciso de uma referência inicial. Uma origem. Uma situação de repouso.
Mas Einstein surge com a noção de que tudo é relativo, isto é, que não existe ponto de origem, uma vez que nada está em total repouso. A terra está em constante movimento, assim como os planetas, o sol e toda a galáxia. Então seu referencial nunca será real.
Muito bem. Por mais que continuasse lendo a teoria, e que para alguns estas afirmações sobre referência possam fazer total sentido, pra mim não fazia.
Hoje, no "ABC da relatividade", encontrei o seguinte parágrafo:
"Se você deseja viajar de King´s Cross para Edimburgo, sabe muito bem que encontrará King´s Cross onde sempre esteve ... e que a estação de Waverly, em Edimburgo, não terá se deslocado para o castelo. Ser-lhe-á, portanto, possível dizer e pensar que viajou para Edimburgo, e não que Edimburgo viajou pra você, embora esta última hipótese seja igualmente exata."
Agora pense o seguinte: se você pudesse ser colocado(a) em uma situação total de repouso. Se fosse possível pegar uma pessoa e fixá-la. E imagine um absurdo mesmo. Imagine você flutuando e fixo. Imagine que você foi "pregado" em uma tela, mas o chão da tela se move, assim como a superfície terrestre. Nesta situação, é bem provável que, quando você voltasse para o chão, estivesse em outro lugar, certo?
É exatamente esta noção que Einstein queria que tivéssemos.
As referências que utilizamos na física são relativas. Elas são válidas porque, a partir do momento que a Terra se move, nos movemos com ela, assim como tudo que para nós é real. Mas não podemos deixar de pensar que isto é apenas uma hipótese, e que no fundo esta referência é apenas imaginária.
Confuso?
Pode ser, mas é fantástico pensar que algo tão óbvio seja tão difícil de compreender.
Na verdade, Einstein, ao escrever sobre a relatividade, não queria dizer que tudo é relativo. A Teoria não prova que tudo é relativo, mas ela é sim dedicada a "excluir o que é relativo para chegar a uma declaração de leis físicas que de forma alguma dependem das circuntâncias de um observador."
Einstein queria descontar o efeito da relatividade. Simplesmente isso.
Me sinto mais tranquila agora.
Vou continuar minhas leituras.
Pelo menos o princípio eu já consegui entender.
Minhas leituras (que tem sido as mais variadas) tem feito com que minha mente trabalhe a uma velocidade na qual meu racioncínio lógico não consegue acompanhar.
Talvez por que, para adentrar em certos "mundos" da ciência, a lógica tenha que ser deixada de lado.
Bem, o fato é que há duas semanas, também, criei com alguns alunos um grupo para estudos de física avançada. E talvez agora, algumas coisas comecem a fazer sentido.
Para tentar ser mais clara, o que tenho tentado fazer é abrir novas possibilidades de pensamento. E hoje me dei por feliz quando comecei o primeiro capítulo de "ABC da relatividade", de Bertrand Russel.
No livro em questão, publicado pela primeira vez em 1925, Russel escreve que, para entender o que Einstein pensava ao criar a Teoria da Relatividade, temos que alterar nosso quadro imaginário do mundo, por mais difícil que isto possa parecer.
E ele tem razão.
Minha maior dificuldade para entender a teoria da relatividade é que, na física, precisamos sempre de um referencial para os cálculos. E quando digo referencial, estou falando de coordenadas x, y e z. Isto é, quando analiso o movimento de uma partícula, eu preciso de uma referência inicial. Uma origem. Uma situação de repouso.
Mas Einstein surge com a noção de que tudo é relativo, isto é, que não existe ponto de origem, uma vez que nada está em total repouso. A terra está em constante movimento, assim como os planetas, o sol e toda a galáxia. Então seu referencial nunca será real.
Muito bem. Por mais que continuasse lendo a teoria, e que para alguns estas afirmações sobre referência possam fazer total sentido, pra mim não fazia.
Hoje, no "ABC da relatividade", encontrei o seguinte parágrafo:
"Se você deseja viajar de King´s Cross para Edimburgo, sabe muito bem que encontrará King´s Cross onde sempre esteve ... e que a estação de Waverly, em Edimburgo, não terá se deslocado para o castelo. Ser-lhe-á, portanto, possível dizer e pensar que viajou para Edimburgo, e não que Edimburgo viajou pra você, embora esta última hipótese seja igualmente exata."
Agora pense o seguinte: se você pudesse ser colocado(a) em uma situação total de repouso. Se fosse possível pegar uma pessoa e fixá-la. E imagine um absurdo mesmo. Imagine você flutuando e fixo. Imagine que você foi "pregado" em uma tela, mas o chão da tela se move, assim como a superfície terrestre. Nesta situação, é bem provável que, quando você voltasse para o chão, estivesse em outro lugar, certo?
É exatamente esta noção que Einstein queria que tivéssemos.
As referências que utilizamos na física são relativas. Elas são válidas porque, a partir do momento que a Terra se move, nos movemos com ela, assim como tudo que para nós é real. Mas não podemos deixar de pensar que isto é apenas uma hipótese, e que no fundo esta referência é apenas imaginária.
Confuso?
Pode ser, mas é fantástico pensar que algo tão óbvio seja tão difícil de compreender.
Na verdade, Einstein, ao escrever sobre a relatividade, não queria dizer que tudo é relativo. A Teoria não prova que tudo é relativo, mas ela é sim dedicada a "excluir o que é relativo para chegar a uma declaração de leis físicas que de forma alguma dependem das circuntâncias de um observador."
Einstein queria descontar o efeito da relatividade. Simplesmente isso.
Me sinto mais tranquila agora.
Vou continuar minhas leituras.
Pelo menos o princípio eu já consegui entender.
Assinar:
Postagens (Atom)