Ana Paula atravessa a rua para pedir uma informação sobre um curso de Ikebana e encontra uma senhora de 80 anos tentando estacionar um furgão em uma vaga que cabe um mini cooper.
Sem sucesso, a senhora para em mão dupla e desce do carro. Começa a descarregar plantas e bacias com água. Vendo que a senhora estava com dificuldades, Ana Paula oferece ajuda.
- A senhora quer ajuda?
- Ãhn ... - a senhorinha olha para Ana - Ajuda? Sim, sim.
A senhora coloca as plantas e bacias nos braços da Ana e entra no carro.
- Ajuda estacionar carro? - diz a senhora com um forte sotaque japonês.
- Não. A senhora não entendeu. Ofereci ajuda para carregar as coisas. A senhora não vai conseguir estacionar o carro aí. Não cabe!!!
- Cabe!!! Carro cabe!!
- Não, não cabe.
- Então onde cabe?
- Olha, a senhora pode tentar o estacionamento que fica mais adiante. Eu espero a senhora aqui com suas coisas enquanto isso.
Desconfiada, a senhora desce do carro, pega toda a parafernália que esta com a Ana e coloca novamente no banco traseiro. Olha para a Ana e pergunta:
- Quem é você?
- Meu nome é Ana. Eu queria informações sobre o curso de Ikebana.
- Ãhn ... não dou aula de Ikebana. Só trouxe material. Vou estacionar o carro.
E sai com o furgão enquanto Ana fica observando, parada na calçada.
Em questões de segundos, chega um senhor que poderia ser sósia do Mr. Miyagi.
Olha pra Ana e pergunta:
- Onde ela vai?
- Ela foi estacionar o carro.
- Onde?
- No estacionamento mais ali na frente.
- E quem é você? Você trabalha pra ela?
- Não. Eu sou a Ana. Eu queria informações sobre o curso de Ikebana.
- Mas ela não dá aula de Ikebana.
- Eu sei, mas é que eu ofereci ajuda pra carregar o material quando ela estava tentando estacionar o carro.
- Estacionar aqui? Mas aqui não cabe.
- Pois é, eu falei isso pra ela. Mas enfim, o senhor sabe sobre o curso de Ikebana?
- Sim. Eu sou o professor.
Empolgada, Ana pergunta:
- Sério? Então você pode me passar umas informações?
E ele responde:
- Não dou aula pra iniciantes.
E depois deste dia, Ana passou a odiar ikebanas.
É hora de ler ...
quinta-feira, 29 de março de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Ano novo, vida nova!
2012. Tudo novo.
O blog que servia pra falar de livros não deu certo. Então vai virar blog pra escrever o que eu quiser mesmo.
E hoje preciso escrever sobre educação. Assunto horrível pra maioria.
"Vai falar o quê de educação?" vocês podem pensar.
Mas não é coisa chata, pelo menos na minha opinião.
Na verdade eu estive em duas palestras nestes dois últimos dias. Ambas sobre educação.
A primeira eu já tinha visto em um curso que fiz uns tempos atrás e tratava da mudança da aula no século XXI, e a segunda sobre o perfil do jovem curitibano.
E apesar de serem assuntos completamente diferentes, as duas palestras davam muito enfoque no jovem, neste ser que entra na Universidade totalmente perdido, que não sabe o que quer da vida e blá blá blá.
Mas o que me deixou intrigada com tudo isso é que todo ano eu escuto os professores, pesquisadores, pedagogos e mais um monte de gente falando exatamente as mesmas coisas. Porque os tempos mudaram, porque o jovem é diferente ... mas é óbvio que o jovem é diferente. Todos sabem que isso acontece desde que o mundo se conhece por mundo. Sei lá. Sempre existiu o conflito entre gerações. Todo mundo, depois de uma certa idade, acha que os pais estão ultrapassados e que os filhos não sabem de nada. E se eu estiver mentindo, por favor me desculpem, mas acontece pra maioria com certeza.
E apesar de não ter muito experiência com educação (comparado à alguns colegas que tem trinta e pouco anos de profissão), eu pude observar algumas coisas nestes 10 anos como professora universitária:
1) Todos os calouros entram motivados, com expectativa de conhecer algo novo e a promessa de uma profissão;
2) Ao mesmo tempo, todos os calouros tem dúvidas sobre o curso que escolheram;
3) Todos esperam que o professor finalmente lhe explique pra que serviram todos aqueles anos na escola;
4) A maior parte deles continua não fazendo a "conexão" entre o antes universidade e o depois universidade;
5) A grande parte espera que o professor seja mais ousado;
6) O professor sempre espera que o aluno seja mais maduro;
7) O professor espera que o aluno tenha mais conhecimento;]
8) O aluno espera que o professor resolva todas as suas dúvidas, desde a pré-escola;
E existem várias outras que eu poderia citar agora, mas que não vem ao caso neste momento.
Pois bem, pra continuar com este assunto eu vou ter que fazer um reflexão que pode parecer meio fora do contexto, mas que é necessária.
Minha filha vai fazer dois anos.
Eu não tenho nenhuma intenção de adiantar o processo de construção do conhecimento dela. Quero que ela seja uma criança normal. E ela que seja feliz com o que ela escolher para a vida dela. Mas é impossível não me intrometer quando vejo que ela consegue processar mais informação do que todo mundo acha.
E não é só ela. Todas as crianças das idade dela tem a mesma capacidade, mas a maioria dos pais acha que não.
Com 1 ano e 11 meses ela consegue contar até dez, mas ela entende mesmo até o quatro. Mas entende. Ela sabe o que o número um significa, assim como o dois o três e o quatro. Se você pede pra ela contar até quatro, ela conta. Se você pede para ela apontar o número quatro (a imagem 4), ela aponta. Se você pergunta: Quantos brinquedos tem aqui? Ela responde corretamente, três, por exemplo. Ela entende estes conceitos nesta idade. Mas ela só vai apreender a fazer contas com seis, sete anos. Eu posso não entender nada de pedagogia infantil, mas fico pensando se ela não conseguiria aprender antes disso.
Outra situação. A sobrinha do meu marido, ao seis anos, ao escutar alguém dizer: "Sumiu! Evaporou!", me chamou num canto para perguntar o que era "evaporar". E eu expliquei pra ela. Expliquei, resumidamente, que quando chove e a chuva molha a calçada, algumas poças se formam, e quando sai o sol, as poças somem. Expliquei que o sol esquenta a água, deixa ela mais leve e ela sobe como fumacinha, por isso que ela some. Ela entendeu. Expliquei que várias fumacinhas formam a nuvem e que depois, quando esfria, a fumacinha volta a ser água novamente e chove. Ela entendeu. Pois bem, se ela entendeu, porque só vai estudar isso mais pra frente, se ela já consegue assimilar este conhecimento?
Voltando ao assunto da educação.
A pergunta que fica é a seguinte: Se uma criança de um ano e onze meses, que hoje em dia assiste tv a cabo, com programas que falam sobre como cuidar do planeta terra, que devemos plantar árvores e economizar água, uma criança que vê diariamente a imagem do planeta terra, que dá risada quando acontecem coisas engraçadas no desenho, que canta as músicas, que entende alguns conceitos da música, se esta criança já tem toda esta informação com esta idade, não estaremos nós, pais e professores, atrasando o processo de educação delas dando as mesmas aulas e informações que nossos professores e pais deram para nós, há 20 ou mais anos atrás?
Outra pergunta: Este calouro que entra motivado na Universidade e perde o interesse pelas aulas depois de um tempo não poderia estar aprendendo coisas mais avançadas?
Eu concordo que ele é fraco em conhecimento, e talvez por culpa de todo o sistema educacional que está desatualizado desde que este aluno tem 4 anos de idade, e que não consegue segurar a motivação dele desde esta época. Talvez ele tenha sido a vida inteira desmotivado por ser tratado como um jovem de 30 anos atrás, que não tinha nem metade da informação que ele tem.
E a pergunta final é:
Os pesquisadores de educação não deveriam estar fazendo experiências com a pré-escola e verificando o quanto estas crianças conseguem aprender nesta fase, e talvez com as crianças do ensino médio para, finalmente, proporem uma atualização em todo processo educacional ao invés de ficarem tentando descobrir porque o jovem perde o interesse na Universidade? Não será a resposta meio óbvia?
Já me perguntei várias vezes porque, na disciplina de cálculo para engenharia, tenho que ensinar durante dois anos conceitos que foram estudados em 1600 ao invés de falar sobre a aplicação destes conceitos na mecânica e física quântica, que é o mais interessante deste século.
Pois bem.
Chega por hoje.
Já escrevi demais.
O blog que servia pra falar de livros não deu certo. Então vai virar blog pra escrever o que eu quiser mesmo.
E hoje preciso escrever sobre educação. Assunto horrível pra maioria.
"Vai falar o quê de educação?" vocês podem pensar.
Mas não é coisa chata, pelo menos na minha opinião.
Na verdade eu estive em duas palestras nestes dois últimos dias. Ambas sobre educação.
A primeira eu já tinha visto em um curso que fiz uns tempos atrás e tratava da mudança da aula no século XXI, e a segunda sobre o perfil do jovem curitibano.
E apesar de serem assuntos completamente diferentes, as duas palestras davam muito enfoque no jovem, neste ser que entra na Universidade totalmente perdido, que não sabe o que quer da vida e blá blá blá.
Mas o que me deixou intrigada com tudo isso é que todo ano eu escuto os professores, pesquisadores, pedagogos e mais um monte de gente falando exatamente as mesmas coisas. Porque os tempos mudaram, porque o jovem é diferente ... mas é óbvio que o jovem é diferente. Todos sabem que isso acontece desde que o mundo se conhece por mundo. Sei lá. Sempre existiu o conflito entre gerações. Todo mundo, depois de uma certa idade, acha que os pais estão ultrapassados e que os filhos não sabem de nada. E se eu estiver mentindo, por favor me desculpem, mas acontece pra maioria com certeza.
E apesar de não ter muito experiência com educação (comparado à alguns colegas que tem trinta e pouco anos de profissão), eu pude observar algumas coisas nestes 10 anos como professora universitária:
1) Todos os calouros entram motivados, com expectativa de conhecer algo novo e a promessa de uma profissão;
2) Ao mesmo tempo, todos os calouros tem dúvidas sobre o curso que escolheram;
3) Todos esperam que o professor finalmente lhe explique pra que serviram todos aqueles anos na escola;
4) A maior parte deles continua não fazendo a "conexão" entre o antes universidade e o depois universidade;
5) A grande parte espera que o professor seja mais ousado;
6) O professor sempre espera que o aluno seja mais maduro;
7) O professor espera que o aluno tenha mais conhecimento;]
8) O aluno espera que o professor resolva todas as suas dúvidas, desde a pré-escola;
E existem várias outras que eu poderia citar agora, mas que não vem ao caso neste momento.
Pois bem, pra continuar com este assunto eu vou ter que fazer um reflexão que pode parecer meio fora do contexto, mas que é necessária.
Minha filha vai fazer dois anos.
Eu não tenho nenhuma intenção de adiantar o processo de construção do conhecimento dela. Quero que ela seja uma criança normal. E ela que seja feliz com o que ela escolher para a vida dela. Mas é impossível não me intrometer quando vejo que ela consegue processar mais informação do que todo mundo acha.
E não é só ela. Todas as crianças das idade dela tem a mesma capacidade, mas a maioria dos pais acha que não.
Com 1 ano e 11 meses ela consegue contar até dez, mas ela entende mesmo até o quatro. Mas entende. Ela sabe o que o número um significa, assim como o dois o três e o quatro. Se você pede pra ela contar até quatro, ela conta. Se você pede para ela apontar o número quatro (a imagem 4), ela aponta. Se você pergunta: Quantos brinquedos tem aqui? Ela responde corretamente, três, por exemplo. Ela entende estes conceitos nesta idade. Mas ela só vai apreender a fazer contas com seis, sete anos. Eu posso não entender nada de pedagogia infantil, mas fico pensando se ela não conseguiria aprender antes disso.
Outra situação. A sobrinha do meu marido, ao seis anos, ao escutar alguém dizer: "Sumiu! Evaporou!", me chamou num canto para perguntar o que era "evaporar". E eu expliquei pra ela. Expliquei, resumidamente, que quando chove e a chuva molha a calçada, algumas poças se formam, e quando sai o sol, as poças somem. Expliquei que o sol esquenta a água, deixa ela mais leve e ela sobe como fumacinha, por isso que ela some. Ela entendeu. Expliquei que várias fumacinhas formam a nuvem e que depois, quando esfria, a fumacinha volta a ser água novamente e chove. Ela entendeu. Pois bem, se ela entendeu, porque só vai estudar isso mais pra frente, se ela já consegue assimilar este conhecimento?
Voltando ao assunto da educação.
A pergunta que fica é a seguinte: Se uma criança de um ano e onze meses, que hoje em dia assiste tv a cabo, com programas que falam sobre como cuidar do planeta terra, que devemos plantar árvores e economizar água, uma criança que vê diariamente a imagem do planeta terra, que dá risada quando acontecem coisas engraçadas no desenho, que canta as músicas, que entende alguns conceitos da música, se esta criança já tem toda esta informação com esta idade, não estaremos nós, pais e professores, atrasando o processo de educação delas dando as mesmas aulas e informações que nossos professores e pais deram para nós, há 20 ou mais anos atrás?
Outra pergunta: Este calouro que entra motivado na Universidade e perde o interesse pelas aulas depois de um tempo não poderia estar aprendendo coisas mais avançadas?
Eu concordo que ele é fraco em conhecimento, e talvez por culpa de todo o sistema educacional que está desatualizado desde que este aluno tem 4 anos de idade, e que não consegue segurar a motivação dele desde esta época. Talvez ele tenha sido a vida inteira desmotivado por ser tratado como um jovem de 30 anos atrás, que não tinha nem metade da informação que ele tem.
E a pergunta final é:
Os pesquisadores de educação não deveriam estar fazendo experiências com a pré-escola e verificando o quanto estas crianças conseguem aprender nesta fase, e talvez com as crianças do ensino médio para, finalmente, proporem uma atualização em todo processo educacional ao invés de ficarem tentando descobrir porque o jovem perde o interesse na Universidade? Não será a resposta meio óbvia?
Já me perguntei várias vezes porque, na disciplina de cálculo para engenharia, tenho que ensinar durante dois anos conceitos que foram estudados em 1600 ao invés de falar sobre a aplicação destes conceitos na mecânica e física quântica, que é o mais interessante deste século.
Pois bem.
Chega por hoje.
Já escrevi demais.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
A evolução da Física
E eis que, por intermédio do professor Ibrahim, chega em minhas mãos o livro "EVOLUÇÃO DA FÍSICA"(primeira edição de 1938), um exemplar "caindo aos pedaços", de 1966, mas com um conteúdo fantástico, cujos autores são Albert Einstein e Leopold Infeld.
E já no prefácio, os autores advertem: "não escrevemos um livro didático de Física ... nossa intenção foi, antes, esboçar, em traços largos, as tentativas da mente humana de encontrar uma conexão entre o mundo das idéias e o mundo dos fenômenos."
E posso afirmar que, ler este livro, tem sido uma experiência fantástica.
A forma com que Eisntein explica a ascensão de conceitos mecânicos básicos é tão simples que me pergunto por várias vezes porque meus professores de física não me explicaram estes fenômenos desta maneira.
Por enquanto, a leitura está em andamento.
E apesar de não ter muito para escrever sobre ele ainda, este "post" serve apenas para recomendação para aqueles que gostam de física. Tenho certeza que não se arrependerão!
E já no prefácio, os autores advertem: "não escrevemos um livro didático de Física ... nossa intenção foi, antes, esboçar, em traços largos, as tentativas da mente humana de encontrar uma conexão entre o mundo das idéias e o mundo dos fenômenos."
E posso afirmar que, ler este livro, tem sido uma experiência fantástica.
A forma com que Eisntein explica a ascensão de conceitos mecânicos básicos é tão simples que me pergunto por várias vezes porque meus professores de física não me explicaram estes fenômenos desta maneira.
Por enquanto, a leitura está em andamento.
E apesar de não ter muito para escrever sobre ele ainda, este "post" serve apenas para recomendação para aqueles que gostam de física. Tenho certeza que não se arrependerão!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
críticas...
Logo cedo, quando ainda crianças, iniciamos o processo de desenvolvimento pessoal recebendo críticas. Primeiro de nossos pais. Depois de nossos professores e amigos. E subitamente estamos recebendo críticas de uma série de pessoas que estão à nossa volta.
Devo admitir que adoro criticar. E por ser um traço forte da minha personalidade, criticar os outros, eu não gosto de ser criticada.
Comecei a trabalhar com sistema de qualidade ainda como aluna de engenharia, e nesta época conheci a famosa expressão "crítica construtiva". Demorei para aprender que uma crítica poderia ser boa, mas a partir daí, me esforcei para entender melhor o que os outros falavam de mim.
Logo depois de formada, me tornei professora, e nesta profissão aprendi a conviver com as críticas, tanto "construtivas" quanto "destrutivas". Aprendi que muitos dizem as coisas para te ajudar, e que outros só querem te ofender mesmo.
Pois bem. Atualmente tenho lidado bem com a situação. Tento tirar proveito das críticas da melhor forma possível, mesmo sendo extremamente difícil em determinadas situações.
Porém, hoje pela manhã, ao arrumar o cabelo da minha filha de 1 ano, vivi pela primeira vez uma experiência que deu origem a este texto: Enquanto fazia uma trança no seu cabelo, ela queria brincar com o controle remoto. E como ela não parava quieta, tive que brigar com ela, e eis que ela me lança um olhar conhecido em meio aquela situação nova. Mesmo sem saber falar uma palavra, a mensagem foi clara: ela estava me criticando. E eu pensei "Até tu, Brutus?"
E a primeira briga terminou com um cabelo arrumado e uma criança insatisfeita.
No caminho até a escola, ela permaneceu com cara de poucos amigos.
E como se não bastasse, ao chegar na sala de aula, ela pulou para o colo da professora, me desprezando totalmente.
E eu fui trabalhar pensando no ocorrido.
Pensei em quanto tempo eu demorei para aprender que, em meio há tantas críticas, existe sempre algo positivo. Que de todas as críticas feitas pelos meus pais, boa parte delas me ajudaram a contruir uma pessoa melhor. E que passará muito tempo até minha filha se dar conta de que minhas atitudes tem como propósito o bem dela.
Até lá, terei que me acostumar com este olhar que ela me deu hoje. Talvez dela, irão nascer as piores críticas que eu já recebi. E quem é que está preparado para isso? Pra mim foi cedo demais.
Mas uma coisa ficou bem clara: eu serei a responsável por iniciar o desenvolvimento pessoal dela, e ela será a responsável por terminar o meu.
Devo admitir que adoro criticar. E por ser um traço forte da minha personalidade, criticar os outros, eu não gosto de ser criticada.
Comecei a trabalhar com sistema de qualidade ainda como aluna de engenharia, e nesta época conheci a famosa expressão "crítica construtiva". Demorei para aprender que uma crítica poderia ser boa, mas a partir daí, me esforcei para entender melhor o que os outros falavam de mim.
Logo depois de formada, me tornei professora, e nesta profissão aprendi a conviver com as críticas, tanto "construtivas" quanto "destrutivas". Aprendi que muitos dizem as coisas para te ajudar, e que outros só querem te ofender mesmo.
Pois bem. Atualmente tenho lidado bem com a situação. Tento tirar proveito das críticas da melhor forma possível, mesmo sendo extremamente difícil em determinadas situações.
Porém, hoje pela manhã, ao arrumar o cabelo da minha filha de 1 ano, vivi pela primeira vez uma experiência que deu origem a este texto: Enquanto fazia uma trança no seu cabelo, ela queria brincar com o controle remoto. E como ela não parava quieta, tive que brigar com ela, e eis que ela me lança um olhar conhecido em meio aquela situação nova. Mesmo sem saber falar uma palavra, a mensagem foi clara: ela estava me criticando. E eu pensei "Até tu, Brutus?"
E a primeira briga terminou com um cabelo arrumado e uma criança insatisfeita.
No caminho até a escola, ela permaneceu com cara de poucos amigos.
E como se não bastasse, ao chegar na sala de aula, ela pulou para o colo da professora, me desprezando totalmente.
E eu fui trabalhar pensando no ocorrido.
Pensei em quanto tempo eu demorei para aprender que, em meio há tantas críticas, existe sempre algo positivo. Que de todas as críticas feitas pelos meus pais, boa parte delas me ajudaram a contruir uma pessoa melhor. E que passará muito tempo até minha filha se dar conta de que minhas atitudes tem como propósito o bem dela.
Até lá, terei que me acostumar com este olhar que ela me deu hoje. Talvez dela, irão nascer as piores críticas que eu já recebi. E quem é que está preparado para isso? Pra mim foi cedo demais.
Mas uma coisa ficou bem clara: eu serei a responsável por iniciar o desenvolvimento pessoal dela, e ela será a responsável por terminar o meu.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O paradoxo dos gêmeos
Se dois gêmeos A e B são separados, um permanecendo na Terra (A) e o outro sendo levado para viajar em uma nave espacial com velocidade próxima a da luz durante alguns anos terrestres, ao retornar a Terra, como seria a relação entre as idades dos dois gêmeos?
Você poderia pensar em 2 hipóteses:
a) O irmão B volta para a Terra mais novo do que o irmão que ficou;
b) O irmão B volta para a Terra mais velho do que o irmão que ficou.
Por causa da dilatação temporal, poderíamos responder que o gêmeo B, que viajou com velocidade próxima à velocidade da luz, deveria estar mais novo, já que um ano para ele equivale a mais de um ano terrestre. Porém, o Gêmeo B poderia dizer que ele se manteve parado, enquanto foi a Terra que moveu-se para longe, e neste caso o irmão A estaria mais novo.
Esta formulação ficou conhecida como o paradoxo dos gêmeos.
E aí? Qual seria a sua resposta?
Você poderia pensar em 2 hipóteses:
a) O irmão B volta para a Terra mais novo do que o irmão que ficou;
b) O irmão B volta para a Terra mais velho do que o irmão que ficou.
Por causa da dilatação temporal, poderíamos responder que o gêmeo B, que viajou com velocidade próxima à velocidade da luz, deveria estar mais novo, já que um ano para ele equivale a mais de um ano terrestre. Porém, o Gêmeo B poderia dizer que ele se manteve parado, enquanto foi a Terra que moveu-se para longe, e neste caso o irmão A estaria mais novo.
Esta formulação ficou conhecida como o paradoxo dos gêmeos.
E aí? Qual seria a sua resposta?
terça-feira, 5 de abril de 2011
Relatividade ...
Há duas semana venho tentado produzir algum material para este blog.
Minhas leituras (que tem sido as mais variadas) tem feito com que minha mente trabalhe a uma velocidade na qual meu racioncínio lógico não consegue acompanhar.
Talvez por que, para adentrar em certos "mundos" da ciência, a lógica tenha que ser deixada de lado.
Bem, o fato é que há duas semanas, também, criei com alguns alunos um grupo para estudos de física avançada. E talvez agora, algumas coisas comecem a fazer sentido.
Para tentar ser mais clara, o que tenho tentado fazer é abrir novas possibilidades de pensamento. E hoje me dei por feliz quando comecei o primeiro capítulo de "ABC da relatividade", de Bertrand Russel.
No livro em questão, publicado pela primeira vez em 1925, Russel escreve que, para entender o que Einstein pensava ao criar a Teoria da Relatividade, temos que alterar nosso quadro imaginário do mundo, por mais difícil que isto possa parecer.
E ele tem razão.
Minha maior dificuldade para entender a teoria da relatividade é que, na física, precisamos sempre de um referencial para os cálculos. E quando digo referencial, estou falando de coordenadas x, y e z. Isto é, quando analiso o movimento de uma partícula, eu preciso de uma referência inicial. Uma origem. Uma situação de repouso.
Mas Einstein surge com a noção de que tudo é relativo, isto é, que não existe ponto de origem, uma vez que nada está em total repouso. A terra está em constante movimento, assim como os planetas, o sol e toda a galáxia. Então seu referencial nunca será real.
Muito bem. Por mais que continuasse lendo a teoria, e que para alguns estas afirmações sobre referência possam fazer total sentido, pra mim não fazia.
Hoje, no "ABC da relatividade", encontrei o seguinte parágrafo:
"Se você deseja viajar de King´s Cross para Edimburgo, sabe muito bem que encontrará King´s Cross onde sempre esteve ... e que a estação de Waverly, em Edimburgo, não terá se deslocado para o castelo. Ser-lhe-á, portanto, possível dizer e pensar que viajou para Edimburgo, e não que Edimburgo viajou pra você, embora esta última hipótese seja igualmente exata."
Agora pense o seguinte: se você pudesse ser colocado(a) em uma situação total de repouso. Se fosse possível pegar uma pessoa e fixá-la. E imagine um absurdo mesmo. Imagine você flutuando e fixo. Imagine que você foi "pregado" em uma tela, mas o chão da tela se move, assim como a superfície terrestre. Nesta situação, é bem provável que, quando você voltasse para o chão, estivesse em outro lugar, certo?
É exatamente esta noção que Einstein queria que tivéssemos.
As referências que utilizamos na física são relativas. Elas são válidas porque, a partir do momento que a Terra se move, nos movemos com ela, assim como tudo que para nós é real. Mas não podemos deixar de pensar que isto é apenas uma hipótese, e que no fundo esta referência é apenas imaginária.
Confuso?
Pode ser, mas é fantástico pensar que algo tão óbvio seja tão difícil de compreender.
Na verdade, Einstein, ao escrever sobre a relatividade, não queria dizer que tudo é relativo. A Teoria não prova que tudo é relativo, mas ela é sim dedicada a "excluir o que é relativo para chegar a uma declaração de leis físicas que de forma alguma dependem das circuntâncias de um observador."
Einstein queria descontar o efeito da relatividade. Simplesmente isso.
Me sinto mais tranquila agora.
Vou continuar minhas leituras.
Pelo menos o princípio eu já consegui entender.
Minhas leituras (que tem sido as mais variadas) tem feito com que minha mente trabalhe a uma velocidade na qual meu racioncínio lógico não consegue acompanhar.
Talvez por que, para adentrar em certos "mundos" da ciência, a lógica tenha que ser deixada de lado.
Bem, o fato é que há duas semanas, também, criei com alguns alunos um grupo para estudos de física avançada. E talvez agora, algumas coisas comecem a fazer sentido.
Para tentar ser mais clara, o que tenho tentado fazer é abrir novas possibilidades de pensamento. E hoje me dei por feliz quando comecei o primeiro capítulo de "ABC da relatividade", de Bertrand Russel.
No livro em questão, publicado pela primeira vez em 1925, Russel escreve que, para entender o que Einstein pensava ao criar a Teoria da Relatividade, temos que alterar nosso quadro imaginário do mundo, por mais difícil que isto possa parecer.
E ele tem razão.
Minha maior dificuldade para entender a teoria da relatividade é que, na física, precisamos sempre de um referencial para os cálculos. E quando digo referencial, estou falando de coordenadas x, y e z. Isto é, quando analiso o movimento de uma partícula, eu preciso de uma referência inicial. Uma origem. Uma situação de repouso.
Mas Einstein surge com a noção de que tudo é relativo, isto é, que não existe ponto de origem, uma vez que nada está em total repouso. A terra está em constante movimento, assim como os planetas, o sol e toda a galáxia. Então seu referencial nunca será real.
Muito bem. Por mais que continuasse lendo a teoria, e que para alguns estas afirmações sobre referência possam fazer total sentido, pra mim não fazia.
Hoje, no "ABC da relatividade", encontrei o seguinte parágrafo:
"Se você deseja viajar de King´s Cross para Edimburgo, sabe muito bem que encontrará King´s Cross onde sempre esteve ... e que a estação de Waverly, em Edimburgo, não terá se deslocado para o castelo. Ser-lhe-á, portanto, possível dizer e pensar que viajou para Edimburgo, e não que Edimburgo viajou pra você, embora esta última hipótese seja igualmente exata."
Agora pense o seguinte: se você pudesse ser colocado(a) em uma situação total de repouso. Se fosse possível pegar uma pessoa e fixá-la. E imagine um absurdo mesmo. Imagine você flutuando e fixo. Imagine que você foi "pregado" em uma tela, mas o chão da tela se move, assim como a superfície terrestre. Nesta situação, é bem provável que, quando você voltasse para o chão, estivesse em outro lugar, certo?
É exatamente esta noção que Einstein queria que tivéssemos.
As referências que utilizamos na física são relativas. Elas são válidas porque, a partir do momento que a Terra se move, nos movemos com ela, assim como tudo que para nós é real. Mas não podemos deixar de pensar que isto é apenas uma hipótese, e que no fundo esta referência é apenas imaginária.
Confuso?
Pode ser, mas é fantástico pensar que algo tão óbvio seja tão difícil de compreender.
Na verdade, Einstein, ao escrever sobre a relatividade, não queria dizer que tudo é relativo. A Teoria não prova que tudo é relativo, mas ela é sim dedicada a "excluir o que é relativo para chegar a uma declaração de leis físicas que de forma alguma dependem das circuntâncias de um observador."
Einstein queria descontar o efeito da relatividade. Simplesmente isso.
Me sinto mais tranquila agora.
Vou continuar minhas leituras.
Pelo menos o princípio eu já consegui entender.
quarta-feira, 23 de março de 2011
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