terça-feira, 5 de abril de 2011

Relatividade ...

Há duas semana venho tentado produzir algum material para este blog.
Minhas leituras (que tem sido as mais variadas) tem feito com que minha mente trabalhe a uma velocidade na qual meu racioncínio lógico não consegue acompanhar.
Talvez por que, para adentrar em certos "mundos" da ciência, a lógica tenha que ser deixada de lado.

Bem, o fato é que há duas semanas, também, criei com alguns alunos um grupo para estudos de física avançada. E talvez agora, algumas coisas comecem a fazer sentido.
Para tentar ser mais clara, o que tenho tentado fazer é abrir novas possibilidades de pensamento. E hoje me dei por feliz quando comecei o primeiro capítulo de "ABC da relatividade", de Bertrand Russel.

No livro em questão, publicado pela primeira vez em 1925, Russel escreve que, para entender o que Einstein pensava ao criar a Teoria da Relatividade, temos que alterar nosso quadro imaginário do mundo, por mais difícil que isto possa parecer.

E ele tem razão.

Minha maior dificuldade para entender a teoria da relatividade é que, na física, precisamos sempre de um referencial para os cálculos. E quando digo referencial, estou falando de coordenadas x, y e z. Isto é, quando analiso o movimento de uma partícula, eu preciso de uma referência inicial. Uma origem. Uma situação de repouso.
Mas Einstein surge com a noção de que tudo é relativo, isto é, que não existe ponto de origem, uma vez que nada está em total repouso. A terra está em constante movimento, assim como os planetas, o sol e toda a galáxia. Então seu referencial nunca será real.

Muito bem. Por mais que continuasse lendo a teoria, e que para alguns estas afirmações sobre referência possam fazer total sentido, pra mim não fazia.
Hoje, no "ABC da relatividade", encontrei o seguinte parágrafo:

"Se você deseja viajar de King´s Cross para Edimburgo, sabe muito bem que encontrará King´s Cross onde sempre esteve ... e que a estação de Waverly, em Edimburgo, não terá se deslocado para o castelo. Ser-lhe-á, portanto, possível dizer e pensar que viajou para Edimburgo, e não que Edimburgo viajou pra você, embora esta última hipótese seja igualmente exata."

Agora pense o seguinte: se você pudesse ser colocado(a) em uma situação total de repouso. Se fosse possível pegar uma pessoa e fixá-la. E imagine um absurdo mesmo. Imagine você flutuando e fixo. Imagine que você foi "pregado" em uma tela, mas o chão da tela se move, assim como a superfície terrestre. Nesta situação, é bem provável que, quando você voltasse para o chão, estivesse em outro lugar, certo?
É exatamente esta noção que Einstein queria que tivéssemos.

As referências que utilizamos na física são relativas. Elas são válidas porque, a partir do momento que a Terra se move, nos movemos com ela, assim como tudo que para nós é real. Mas não podemos deixar de pensar que isto é apenas uma hipótese, e que no fundo esta referência é apenas imaginária.

Confuso?
Pode ser, mas é fantástico pensar que algo tão óbvio seja tão difícil de compreender.
Na verdade, Einstein, ao escrever sobre a relatividade, não queria dizer que tudo é relativo. A Teoria não prova que tudo é relativo, mas ela é sim dedicada a "excluir o que é relativo para chegar a uma declaração de leis físicas que de forma alguma dependem das circuntâncias de um observador."

Einstein queria descontar o efeito da relatividade. Simplesmente isso.

Me sinto mais tranquila agora.
Vou continuar minhas leituras.
Pelo menos o princípio eu já consegui entender.

Um comentário:

  1. Professora, suas palavras foram realmente muito esclarecedoras. E concordo plenamente com você, como algo tão óbvio pode ser tão difícil de entedender?
    Vou procurar esse livro para ler também.

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