sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ano novo, vida nova!

2012. Tudo novo.
O blog que servia pra falar de livros não deu certo. Então vai virar blog pra escrever o que eu quiser mesmo.
E hoje preciso escrever sobre educação. Assunto horrível pra maioria.
"Vai falar o quê de educação?" vocês podem pensar.
Mas não é coisa chata, pelo menos na minha opinião.
Na verdade eu estive em duas palestras nestes dois últimos dias. Ambas sobre educação.
A primeira eu já tinha visto em um curso que fiz uns tempos atrás e tratava da mudança da aula no século XXI, e a segunda sobre o perfil do jovem curitibano.
E apesar de serem assuntos completamente diferentes, as duas palestras davam muito enfoque no jovem, neste ser que entra na Universidade totalmente perdido, que não sabe o que quer da vida e blá blá blá.
Mas o que me deixou intrigada com tudo isso é que todo ano eu escuto os professores, pesquisadores, pedagogos e mais um monte de gente falando exatamente as mesmas coisas. Porque os tempos mudaram, porque o jovem é diferente ... mas é óbvio que o jovem é diferente. Todos sabem que isso acontece desde que o mundo se conhece por mundo. Sei lá. Sempre existiu o conflito entre gerações. Todo mundo, depois de uma certa idade, acha que os pais estão ultrapassados e que os filhos não sabem de nada. E se eu estiver mentindo, por favor me desculpem, mas acontece pra maioria com certeza.
E apesar de não ter muito experiência com educação (comparado à alguns colegas que tem trinta e pouco anos de profissão), eu pude observar algumas coisas nestes 10 anos como professora universitária:
1) Todos os calouros entram motivados, com expectativa de conhecer algo novo e a promessa de uma profissão;
2) Ao mesmo tempo, todos os calouros tem dúvidas sobre o curso que escolheram;
3) Todos esperam que o professor finalmente lhe explique pra que serviram todos aqueles anos na escola;
4) A maior parte deles continua não fazendo a "conexão" entre o antes universidade e o depois universidade;
5) A grande parte espera que o professor seja mais ousado;
6) O professor sempre espera que o aluno seja mais maduro;
7) O professor espera que o aluno tenha mais conhecimento;]
8) O aluno espera que o professor resolva todas as suas dúvidas, desde a pré-escola;

E existem várias outras que eu poderia citar agora, mas que não vem ao caso neste momento.
Pois bem, pra continuar com este assunto eu vou ter que fazer um reflexão que pode parecer meio fora do contexto, mas que é necessária.

Minha filha vai fazer dois anos.

Eu não tenho nenhuma intenção de adiantar o processo de construção do conhecimento dela. Quero que ela seja uma criança normal. E ela que seja feliz com o que ela escolher para a vida dela. Mas é impossível não me intrometer quando vejo que ela consegue processar mais informação do que todo mundo acha.
E não é só ela. Todas as crianças das idade dela tem a mesma capacidade, mas a maioria dos pais acha que não.
Com 1 ano e 11 meses ela consegue contar até dez, mas ela entende mesmo até o quatro. Mas entende. Ela sabe o que o número um significa, assim como o dois o três e o quatro. Se você pede pra ela contar até quatro, ela conta. Se você pede para ela apontar o número quatro (a imagem 4), ela aponta. Se você pergunta: Quantos brinquedos tem aqui? Ela responde corretamente, três, por exemplo. Ela entende estes conceitos nesta idade. Mas ela só vai apreender a fazer contas com seis, sete anos. Eu posso não entender nada de pedagogia infantil, mas fico pensando se ela não conseguiria aprender antes disso.

Outra situação. A sobrinha do meu marido, ao seis anos, ao escutar alguém dizer: "Sumiu! Evaporou!", me chamou num canto para perguntar o que era "evaporar". E eu expliquei pra ela. Expliquei, resumidamente, que quando chove e a chuva molha a calçada, algumas poças se formam, e quando sai o sol, as poças somem. Expliquei que o sol esquenta a água, deixa ela mais leve e ela sobe como fumacinha, por isso que ela some. Ela entendeu. Expliquei que várias fumacinhas formam a nuvem e que depois, quando esfria, a fumacinha volta a ser água novamente e chove. Ela entendeu. Pois bem, se ela entendeu, porque só vai estudar isso mais pra frente, se ela já consegue assimilar este conhecimento?

Voltando ao assunto da educação.

A pergunta que fica é a seguinte: Se uma criança de um ano e onze meses, que hoje em dia assiste tv a cabo, com programas que falam sobre como cuidar do planeta terra, que devemos plantar árvores e economizar água, uma criança que vê diariamente a imagem do planeta terra, que dá risada quando acontecem coisas engraçadas no desenho, que canta as músicas, que entende alguns conceitos da música, se esta criança já tem toda esta informação com esta idade, não estaremos nós, pais e professores, atrasando o processo de educação delas dando as mesmas aulas e informações que nossos professores e pais deram para nós, há 20 ou mais anos atrás?

Outra pergunta: Este calouro que entra motivado na Universidade e perde o interesse pelas aulas depois de um tempo não poderia estar aprendendo coisas mais avançadas?

Eu concordo que ele é fraco em conhecimento, e talvez por culpa de todo o sistema educacional que está desatualizado desde que este aluno tem 4 anos de idade, e que não consegue segurar a motivação dele desde esta época. Talvez ele tenha sido a vida inteira desmotivado por ser tratado como um jovem de 30 anos atrás, que não tinha nem metade da informação que ele tem.

E a pergunta final é:
Os pesquisadores de educação não deveriam estar fazendo experiências com a pré-escola e verificando o quanto estas crianças conseguem aprender nesta fase, e talvez com as crianças do ensino médio para, finalmente, proporem uma atualização em todo processo educacional ao invés de ficarem tentando descobrir porque o jovem perde o interesse na Universidade? Não será a resposta meio óbvia?

Já me perguntei várias vezes porque, na disciplina de cálculo para engenharia, tenho que ensinar durante dois anos conceitos que foram estudados em 1600 ao invés de falar sobre a aplicação destes conceitos na mecânica e física quântica, que é o mais interessante deste século.

Pois bem.
Chega por hoje.
Já escrevi demais.

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